Atividades Complementares...

Penso que nem sempre podemos expor nossa opinião de forma sincera. Alias, na maioria das vezes a exposição do nosso ponto de vista tem que pressupor o efeito sobre os demais, afim de não chocarmos ou evitarmos conflitos. Apenas em casos extremos, onde sabe-se todos os efeitos do conflito, podemos firmemente defender nosso ponto de vista.

Lembrei disso por outro dia presenciai dezenas de alunos em uma fila quase kilométrica para a entrega de alimentos a serem destinados para uma entidade não governamental. Num primeiro momento fiquei feliz, por ver tanta benevolência em jovens formandos, algo inusitado. Recuperei-me da ilusão momentânea quando percebi que todos os alunos, após entregarem as sacolas com alimentos, recebiam um comprovante de doação que conferia estarem isentos de algumas horas de atividades complementares.

Com a popularização do ensino superior promovido de forma desordenada após o governo FHC, as universidades e o MEC, inventaram esse argumento e assim o aluno deve cumprir mais de 200 horas para que possa obter sua formação. E então conceituando porque é preciso, atividades complementares são atividades curriculares que possibilitam ao aluno ampliar conhecimentos de interesse para sua formação pessoal e profissional, com experiência e vivências acadêmicas dentro e/ou fora da instituição. Normalmente é exigido mais de 200 horas e é indispensável para a obtenção do diploma.

Assim, ao invés da leitura de um livro, a escrita de um artigo, o prazer de ver uma boa peça teatral ou ainda freqüentar um curso ou palestra que amplie seus conhecimentos, ele faz e é estimulado ao mais fácil: compra 30 ou 60 horas no supermercado mais próximo! É claro que os jovens ou famílias assistidas pela ONG beneficiada serão beneficiados por isso, mas seria mais nobre se esses mesmos candidatos a profissionais éticos e cidadãos se importassem com isso e não simplesmente com um carimbo em um papel atestando sua contribuição. Qual é a entidade? Quem são os atendidos? Onde fica? Quem leva? Quais são os critérios de escolha?

Entende agora porque não é sempre possível emitir nossa opinião? Há muitos interesses não convergentes e isso pode ser prejudicial a muitos. Seja como for, compre o jornal da sua cidade e veja a programação cultural, pois com certeza é melhor visitar um cinema, teatro, show ou exposição, do que um hipermercado para comprar um kilo de sal!



Escrito por Arnaldo Silva às 17h36
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Dá-me a tua mão...

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector



Escrito por Arnaldo Silva às 17h35
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Primavera....

Mês de aniversario do meu pai e da minha irmã, agosto sempre foi considerado o mês do cachorro louco. E esse especialmente parece ser com essa gripe nos assustando, com esse congresso me dando vergonha de ser brasileiro e principalmente com essa falta de perspectivas por dias melhores. Os cadernos, livros e mochilas tiveram que esperar, o aperto de mão, os abraços e até os beijos repensados... uma bagunça à ordem natural das coisas...

Vejo na televisão que neste agosto faz vinte anos que estamos sem Raul, um dos artistas mais admirados, adorados e criativos de todos os tempos e também cinqüenta e cinco anos do suicídio de Vargas. Não pude visitar a serra e apreciar uma lareira e também não aproveitei minhas mangas cumpridas para tomar um chocolate quente...

Mas como sou um otimista nato, estou por ai cantarolando a musica de Beto Guedes, ansiando pela primavera, a mais bonita das estações, ali entre o frio inverno e o quente verão, quando a natureza fica mais bela. Depois, para os que podem, virão os amores de verão...



Sol de Primavera
Beto Guedes

Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor
só nos resta aprender...



Escrito por Arnaldo Silva às 16h37
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Congresso...

Outro dia estava contando para uns amigos sobre uma aventura empreendedora que tive em 1991. É impossível não associar esse ano com Fernando Collor, Zélia Cardoso, Renan Calheiros, Pc farias e outros produtos do nosso descaso eleitoral. Até porque essa gente causou um reboliço no mundo dos negócios. Agora vejo o senador Collor na tribuna do Senado e seu fiel escudeiro Renan. Não há como não rir! É hilário essa coisa toda. Mas acho que existe algo de útil nisso tudo. Recomendo para meus alunos de Comunicação Aplicada que vejam os discursos desses sujeitos para aprenderem, pois o uso da técnicas é visível. A eloqüência, a comunicação não-verbal e a retórica são tão visíveis que podem ser didáticos. A entonação na voz, o gestual, as expressões da face, a forma que algumas palavras são evidenciadas e algumas afirmações repedidas... Se tiver estomago para política veja esse dois, embora exista uma infinidade de exemplos:

Fernando Collor e Pedro Simon: http://www.youtube.com/watch?v=lZ57rAdWPmU

Roberto Jefferson: http://www.youtube.com/watch?v=MolZMvTc3TA

 

 



Escrito por Arnaldo Silva às 16h36
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Férias...

É claro que é uma brincadeira, mas o que lhe vem a mente quando você escuta a pronuncia trabalho? Feche os olhos e perceba!

Mas antes disso, saibamos que a origem dessa palavra vem latim tripalium que significava um instrumento de tortura. Tri (três) e palus (pau) ou seja três paus onde o escravo era amarrado para ser trabalhado pelo torturador! Depois virou labuta e hoje exercício de uma atividade profissional, tendo até instituído um para se comemorar o dia do trabalho.

Tudo certo. Mas, agora tende pronunciar a palavra férias. Isso! Perceba como uma simples palavra é capaz de transportar-nos a lugares ou situações. Fé-rias! De olhos fechados você não vê as ondas do mar sob teus pés descalços? Agora tente pronunciar: tra-ba-lho. Ar condicionado, chefe, horários... Dá até trabalho pronunciar trabalho! Não tem sonoridade. Não soa bem. Percebeu agora porque Hercules com sua desavença com os deuses foi castigado por 12 trabalhos? Mas uma não existe sem a outra. E agora é minha vez! Rs

Isso tudo apenas para dizer que estou em férias! Volto daqui uns dias. Aos meus leitores e leitora, um grande e fraterno abraço.



Escrito por Arnaldo Silva às 18h56
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Arthur...

Passei quinze dias na companhia de Julius, Pam, Tony, Philip e Arthur. Que prazer poder ler A Cura de Shopenhauer, de Irvin Yalom da primeira à ultima pagina durante minhas férias. Foi no mínimo didático para alguém que perdeu o pai e ainda não digeriu isso muito bem e também avança a passos largos para uma calmaria mental só possível quando se cruza a fronteira dos quarenta anos.

No livro, o renomado psiquiatra Julius Hertzfeld, depois do diagnóstico de um câncer maligno, faz um balanço de sua vida e de seu trabalho. A depressão e a tristeza dá lugar à vontade em rever pacientes antigos e à pergunta: será que seu trabalho fez alguma diferença na vida dessas pessoas? O psiquiatra Yrvin Yalon, nos faz acompanhar um emocionante embate entre pacientes e terapeuta, em que cada um expõe seus medos, defesas e fraquezas e aprendem a serem mais felizes e humanos, além evidentemente de apresentar de forma muito interessante a vida e obra de Arthur Shopenhauer. Um passeio maravilhoso pela eterna busca da felicidade que, em minha opinião, apenas a filosofia minimiza.

Eu no interior do Ceará, enquanto meu tio debulhava milho para as galinhas em um alpendre, deitado em uma rede de corda, devorei as paginas desta obra e quando questionado sobre o conteúdo, dizia brincando que era o livro da morte... Para quem gosta de filosofia ou psicologia, ou simplesmente de ler, vale a pena. Deleite-se!



Escrito por Arnaldo Silva às 18h55
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Davaneios...

Você pode espalhar sua alma por muitos lugares; se quiser e puder. Isso é bom, pois você se tornará grande, mas também ruim pois ela deixa de te pertencer. Sobre o mar ou a terra isso é mais visível, mas é sobre as pessoas que torna-se mais louvável. Nas coisas que duram pouco e não tem o poder de serem eternas, como as emoções, isso não vale nada.



Escrito por Arnaldo Silva às 18h55
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Viagem...

Sempre li.
Adoro ler.
Talvez seja um habito ou um vicio.
Talvez uma necessidade.
Preciso viajar a mundos desconhecidos.
Um livro me ajuda a isso.
As vezes um filme.
As vezes um amigo.
Terminei Homens e Ratos de John Steinbek.
Senti-me infeliz.
Ao guardá-lo
Caiu da estante Odisséia de Homero.
Meu coração encheu-se de alegria!
Quanta poesia!
Quanta historia!
Os gregos e suas incontáveis histórias.
Se fosse alguém importante sugeriria tornar obrigatória a leitura desta obra.
Talvez tivéssemos melhores homens ou melhores mulheres.
Lembrei-me do Chico.
Escutei Mulheres de Atenas.
Assisti novamente Tróia.
Aluguei Helena de Tróia.
Revi 300 e olhei o mapa da Grécia para achar Esparta.
Sonhei com Odisseu.
Imaginei Helena!
Ovacionei o quanto pude Homero.
Maravilhei-me com a deusa Atena!
Entristeci-me quando minha Odisséia acabou.



Escrito por Arnaldo Silva às 18h54
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O Twitter e eu...

Meu filho me disse que o Twitter mais popular do Brasil é o do Mano Menezes, técnico do Corinthians, com mais de meio milhão de seguidores. Como é ligado em futebol, disse também que o presidente do Palmeiras, anunciou a contratação do técnico Muricy Ramalho, pelo Twitter. Certo. Perfeito. Que ótimo que esses profissionais estão bem amparados para utilizarem todas as formas de comunicação, incluindo essa que atinge a um publico especifico, afinal já vai longe o tempo em que jornal, televisão e radio predominavam na divulgação de noticias.

Por razões acadêmicas cadastrei-me em mais este site de relacionamento e por meses não percebi sua utilidade, embora algumas pessoas insistissem em seguir-me. Meus Deus, que coisa estranha a divulgação do cotidiano, não? Lembro do meu tio que falando para minha tia: “Não me segue que não sou novela”. Hilário.

Numa discussão mais consistente reconheci que é apenas mais uma forma de comunicação e isso é muito bom, pois isso é preciso, necessário e pode gerar amizades, negócios e possibilidades reais, além das virtuais. Se qualquer coisa tirar alguém do ostracismo já tem alguma utilidade.

Minha dificuldade é basicamente em encontrar uma possibilidade mais útil que o comum, pois eu não sou o técnico Mano Menezes, mas uma pessoa da massa e como tal o que faço teoricamente não interessa a 500.000 seguidores! Então estou pensando em como transformar uma ferramenta que limita a capacidade de expressão de uma pessoa a 140 caracteres! Isso é bom? Isso é ruim? Não sei...

Vamos tentar?

“Minha filha ainda dorme. Devo acordá-la? Sim? Isso não é hora de ninguém estar dormindo. Não? É férias! Na próxima semana ela irá acordar as 5 da manhã” (Ops quaso passo 140 caracteres)

ou ainda

“Enquanto escrevo, minha vizinha cantarola Regis Daneses - Faz um Milagre em Mim”.

Ok.

Se isso servir para você se perguntar: “Quem é Regis Daneses?”, “Quem é Zaqueu?”, “Como milhares de católicos apostólicos romanos escutam uma música basicamente evangélica?” ou ainda “Poxa... que musica linda! O Padre Marcelo também canta! Será que isso é um exemplo de ecumenismo?”

Se essa “frase” de 140 caracteres de alguma forma permitir que você evolua um milímetro, já estou feliz.

Sei apenas que alguns escritores são capazes de descrever em uma dezena de paginas algo simples como um olhar, como fez Richard Matheson ao descrever um pensamento de Richard Collier, EM ALGUM LUGAR DO PASSADO, quando ele se lembrava de sua amada.

Já nos blogs isso deve ser evitado, pois a síntese deve ser pratica em nome da necessidade da tecnologia, permitindo normalmente textos leves e curtos que possibilitem uma compreensão rápida.

Mas como fazer algo incomum com 140 caracteres? A maioria mantém links para outros lugares o que não corresponde ao que imagino, embora seja apenas uma forma de redirecionamento. Se possuísse um negocio qualquer seria muito mais fácil imaginar alguma aplicação comercial, mas como componente de uma massa quase homogênea de bípedes (eh Schopenhauer!) isso é muito difícil.

Numa pesquisa rápida encontrei apenas e tão somente o comum! Não condeno, mas queria algo mais criativo, como as frases referentes ao Mussuns Days. Peço sua ajuda! Indique-me algum tweeps (usuário do Twitter) que não seja celebridade... Quero dicas.

Estou aprendendo e vou continuar a tentar, afinal qualquer paixão me diverte e quem sabe eu consiga me apaixonar por isso... rs



Escrito por Arnaldo Silva às 18h53
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Meus alunos...

Que saudade dos meus alunos e alunas. Daqueles que sentam lá no fundo e aparentemente não estão nem ai pra nada. Também daquele rapaz que mede cada palavra que digo e senta-se bem na frente, logo na primeira fila de cadeiras. Ou ainda daquela moçoila que de vez em quando se policia para não perder o conteúdo, entre uma fofoca e outra. Nossa! Quase me esqueço daquela menina que, apaixonada, ansiosa, temperamental e absolutamente adolescente, olha mais para o celular do que para a lousa. Também tem aquele aluno que fica me medindo da cabeça aos pés, louco para que cometa um erro ou que lhe de a palavra. Seja como for, amo todos, pois sei exatamente o que é cada um. Já estive no lugar de muitos e sempre que posso, tento compreende-los na busca do seu objetivo, nas duvidas que são tão naturais nessa fase da vida e principalmente na dificuldade de perceberem a importância absoluta de uma formação. Meus alunos representam uma pequena parte do povo. Tem gente de todo tipo, talvez espécies de todas as tribos e gêneros. Não os separo por isso e as vezes até os admiro por sua coragem de manifestarem suas vontades e gostos. Mas tem alguém que me é especial. Lhe deposito meu olhar a muito tempo. E a cada inicio de aula, torço para que esteja ali. É quem me da forças para continuar. É no seu olhar que meu cansaço desaparece e dá lugar a um brilho intenso repleto de vontade de transmitir informação, conhecimento e experiência. Esta no meio de outros alunos e alunas, como a esperança de que façamos a diferença sempre... Espero que ela esteja lá novamente... sempre há um aluno ou aluna que a represente.



Escrito por Arnaldo Silva às 18h53
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